quinta-feira, março 01, 2007
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Ser Orgânico

Os orgânicos rejeitam os aditivos químicos, são tratados com ervas medicinais e buscam o equilíbrio com a natureza
Enquanto uma parte dos agricultores luta pelos avanços da biotecnologia, um grupo menos numeroso defende a volta de técnicas praticadas por seus antepassados. No lugar de agrotóxicos para matar certas pragas, eles soltam joaninhas e outros insetos. Em vez dos fertilizantes, usam esterco ou preparados à base de ervas medicinais. Nada de antibiótico ou hormônio aos animais. Só homeopatia, acupuntura e jamais o confinamento. A filosofia da agropecuária orgânica busca a harmonia, o que se traduz na mínima interferência no meio ambiente. Na receita, claro, estão a preservação da fauna, da flora, o cuidado com os rios e o ar. Some-se a isso o veto ao trabalho infantil e a absorção de parte da mão-de-obra da redondeza.
Embora represente uma nesga de 1% a 3% do mercado total de alimentos, a agricultura orgânica cresce ano a ano. Em 1997, estima-se que verduras, frutas, legumes, açúcar, mel, café, carne ou vinho sem aditivos químicos renderam cerca de US$ 11 bilhões no mundo. Em 2001, as vendas saltaram 127%, indo para US$ 25 bilhões. No Brasil, o faturamento foi de US$ 260 milhões. O Japão, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e em particular a Alemanha, a Itália, a França e a Suíça são os maiores consumidores.
A doença da vaca louca e a febre aftosa foram bons motivos para os orgânicos conquistarem adeptos no Exterior, muitos dispostos a pagar entre um terço e 50% mais caro para ficar livre de ameaças. No Brasil, o disparate de preços chega ao absurdo. Um quilo de tomate com agrotóxicos custa R$ 2, quase três vezes mais barato do que o orgânico, vendido a R$ 5,25. “A qualidade, o sabor e os nutrientes são mais abundantes nos orgânicos”, puxa sua sardinha o descendente de alemães Alexandre Harkaly, vice-presidente do Instituto Biodinâmico (IBD), empresa sediada em Botucatu, no interior paulista, que fiscaliza as práticas rurais e distribui selos de qualidade.
Antroposofia – Quem acha radical o cultivo orgânico prepare-se. Desenvolvida desde 1924, a agricultura biodinâmica é fundamentada na antroposofia, doutrina mística formulada pelo espiritualista austríaco Rudolf Steiner. Seu princípio é a harmonia entre terra, plantas, animais e ser humano. Em suma, considera-se a propriedade como um organismo vivo, que demanda certos cuidados. Aí incluídos ritos cósmicos ligados à Lua, ao Sol, aos planetas e à direção dos ventos, que determinam as práticas agrícolas. “Para estabelecer o elo entre as formas de matéria e de energia de uma fazenda, só devem ser utilizados os elementos produzidos ali”, explica Harkaly. O que não for da região não será bem-vindo. Se a agricultura orgânica representa só 0,08% da área cultivada no País, os biodinâmicos, que envolvem a inclusão social e a preservação ambiental, são ainda mais raros.
É justamente a natureza a maior beneficiada com o cultivo orgânico. Exemplo emblemático são as usinas de açúcar São Francisco e a Santo Antônio, produtoras do açúcar orgânico Native, dono de 42% do mercado mundial. As usinas aboliram a tradicional queima da cana na hora da colheita. “Por volta de 99% dos canaviais são incendiados para se eliminar a palha, que traz pragas à plantação”, afirma Leontino Balbo Júnior, diretor da Native.
Como é difícil colher a cana verde manualmente, a empresa pesquisou durante cinco anos um processo mecanizado de colheita e um sistema de controle biológico, que libera inimigos naturais das pragas da cana-de-açúcar. A natureza foi o termômetro. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a ONG Ecoforça visitam todo mês as usinas e comparam imagens de satélite atuais com fotos de 15 anos atrás. “A mata nativa, que ocupava menos de 75 hectares, agora ocupa 186 hectares. Com isso, animais e aves originais voltaram à região”, explica Evaristo de Miranda, da divisão de monitoramento da Embrapa.
“Mesmo com a popularização, o consumo de orgânicos ainda é pequeno no Brasil”, afirma o diretor da Native. Potencial não falta. Uma feira de produtos orgânicos realizada na alemã Hannover bateu seus próprios recordes e exibiu alguns produtos brasileiros. Na lista de novidades européias, havia linhas de maquiagem, cosméticos, perfumes, tintura de cabelo, chás, champanhe e até preservativos com aroma natural. A febre dos produtos sem aditivos tóxicos é tanta que o Rio de Janeiro sediará a próxima feira Biofach, em setembro. Será a primeira em solo nacional. Pelo barulho recente contra a liberação da soja transgênica, certamente ela não será a única.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Oneomania: Gastadores Compulsivos

Muitos são os motivos que levam uma pessoa a comprar: a necessidade, a diversão, os modismos, a importância, o status e o apelo mercadológico do comércio. Mas há quem consuma pelo simples prazer de comprar, de adquirir alguma coisa independente da sua utilidade ou significado.
O ato de comprar indiscriminadamente é uma doença chamada oneomania, que atinge as pessoas caracterizadas como compradoras compulsivas. A oneomania é um distúrbio bastante controvertido do ponto de vista psiquiátrico e psicológico.
Alguns especialistas consideram a oneomania uma doença obsessiva-compulsiva. Nesse caso, a pessoa teria outros comportamentos compulsivos característicos, além de comprar – como contar objetos sem conseguir parar, por exemplo. No caso desses sintomas estarem ausentes, a oneomania é considerada um distúrbio no controle dos impulsos.
Oneomania atinge principalmente as mulheres
Segundo o neuropsicólogo Daniel Fuentes, coordenador de Ensino e Pesquisa do Ambulatório do Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso (AMJO), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, a proporção é de quatro mulheres para cada homem com a doença.
Os especialistas ainda não sabem precisamente o porquê da oneomania ser mais comum em mulheres, mas acreditam que o motivo está diretamente relacionado a condições culturais. Os fatores que levam a doença a afetar principalmente as mulheres são objeto de estudo da equipe do AMJO.
Para Fuentes, a doença pode estar associada a transtornos do humor e de ansiedade, dependência de substâncias psicoativas (álcool, tóxicos ou medicamentos), transtornos alimentares (bulimia, anorexia) e de controles de impulsos.
A oneomania também emerge para aliviar sentimentos de grande frustração, vazio e depressão. É um desejo de possuir, de ter poder, que fica reprimido. Ao não conseguir dar vazão ao seu desejo, a pessoa sofre uma enorme pressão interna que a leva à necessidade de possuir coisas novas como única forma de prazer, explica a psicóloga Denise Gimenez Ramos, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP.
Os oneomaníacos têm o consumo como vício, assim como um alcoólatra que necessita da bebida. Enquanto está comprando, a pessoa sente alívio e prazer dos sintomas, que passado um tempo voltam rapidamente. O efeito do ato de comprar é semelhante ao de tomar uma droga.
Existe um grupo de 12 passos, nos moldes do AA, que ajuda muito as pessoas com esta compulsão: os Devedores Anônimos. O trecho abaixo foi retirado do site deles:
Nós descobrimos que é uma doença que nunca melhora, somente piora, com o passar do tempo. É uma doença progressiva em sua natureza, que não pode jamais ser curada, mas pode ser detida.
Antes de chegar ao Grupo de D.A., muitos devedores compulsivos se achavam pessoas irresponsáveis, moralmente fracas, ou as vezes, simplesmente "Más". O conceito do D.A. é o de que o devedor compulsivo é uma pessoa realmente doente que pode se recuperar caso ele ou ela siga, com toda sinceridade, um programa simples, que já provou ser um sucesso para outros homens e mulheres com um problema similar.
Como devedores compulsivos, nós nos enquadramos em padrões de gastos que não satisfazem nossas necessidades reais. Alguns de nós temos deixado de pagar cronicamente nossas contas e dividas, mesmo quando nós tínhamos o dinheiro para pagá-las. Ou nós temos feito pagamentos fielmente para 01 ou 02 credores e negligenciado os outros. Alguns de nós têm simplesmente ignorado nossas dívidas por algum tempo, na esperança de que, de alguma maneira, elas possam ser pagas milagrosamente. Alguns de nós têm sido gastadores compulsivos, comprando coisas de que não necessitamos, e nem queremos. Quando nós nos sentimos carentes, ou que, algo está faltando nós esbanjamos dinheiro em algo que não podemos pagar. Nós gastamos compulsivamente, entramos em dívidas, nos sentimos culpados, prometemos que nunca faremos isto de novo, e apenas repetimos o mesmo ciclo na próxima vez que o sentimento de "não sermos suficiente" aflore. tendo gasto além da conta, nós freqüentemente não tínhamos nada para mostrar no que gastamos, e ficamos nos perguntando para onde foi todo aquele dinheiro. Alguns gastadores compulsivos não estão realmente endividados, mas mesmo assim, são bem vindos ao D.A. O único requisito para ser membro do D.A., é o desejo de evitar fazer dívidas sem hipoteca(garantia).
Alguns de nós têm se tornado empobrecidos compulsivos, permitindo-nos ficar freqüentemente sem dinheiro, batalhando de uma crise financeira para outra. Há ainda alguns de nós que acham quase impossível gastar dinheiro consigo mesmos. A televisão estraga e fica estragada, aquele par de sapatos, pronto para ser aposentado, é obrigado a rodar mais um ano ainda, e até problemas de saúde e dentários não são cuidados.
Esta doença afetou nossa visão de nós mesmos e do mundo à nossa volta. Ela nos levou a acreditar que não éramos "suficientes" - em casa, no trabalho, em situações sociais, em relacionamentos amorosos. Ela também nos levou a crer que não há o suficiente no mundo lá fora para nós. esta doença criou uma sensação de pobreza em tudo o que fazíamos e víamos. Em reação a isso, nós nos recolhíamos para um mundo de fantasias, ficávamos preocupados com dinheiro, e evitávamos responsabilidades.
Quando nós participamos da nossa primeira reunião de D.A., nós estávamos perdidos, por muitas perdas: perda de salário, que havia sido engolido por dívidas e por gastos compulsivos; perda de fé; perda de respeito próprio e paz de consciência; perda de amizades; e algumas vezes de saúde, emprego e família. Muitos de nós buscamos ajuda de vários indivíduos ou organizações, mas sempre acabávamos nos sentido como se ninguém entendesse nosso problema. Nossa solidão fez com que nos recolhêssemos mais e mais em nós mesmos. Nós perdemos a vitalidade e o interesse na vida. Nós não podíamos trabalhar ou cuidar de nós mesmos ou de nossos entes queridos apropriadamente. Alguns de nós achamos que estávamos ficando loucos e outros chegaram a contemplar o suicídio. Esse senso de desespero, ou "chegar ao fundo do poço", foi nosso primeiro passo em Devedores Anônimos. Nós vimos que nossas tentativas de esquematizar e manipular nossas vidas nunca funcionaram. Nós admitimos que éramos impotentes perante as dívidas. Nós estávamos prontos para pedir ajuda.
Uma outra forma de tratamento que pode trazer grande ajuda é a Terapia Biográfica, um método onde a vida é revista de uma forma panorâmica.
Essencial para o controle desta doença é a organização financeira. Saber quanto se ganha e quanto se gasta é a chave para o controle. Há um site muito bom que permite isto: o money tracking. Um programa excelente (e grátis) criado por um brasileiro, Cristiano Meira Magalhães chamado Planejamento Financeiro também é muito útil para este fim.
Conseqüência do consumismo
É isso que a Barbie quer!
Livre-se das dívidas
No vermelho? Veja como recuperar a saúde financeira.
Por Dirley Fernandes
Depois de um ano e meio confinada em casa, recuperando-se de um transplante de medula, a pequena Paola, então com 9 anos, pediu aos pais, Sergio e Rocio Torres, para ir à colônia de férias de sua escola. "Ela estava animadíssima com a idéia, pois tinha ficado muito tempo presa", conta Sergio.
Os pais nem titubearam: mandaram a menina para a colônia de férias, mesmo sem ter dinheiro para pagar. Uma atitude temerária para quem, alguns meses antes, tinha voltado dos Estados Unidos com o cartão de crédito cancelado e nenhum dinheiro no bolso.
O casal de dentistas juntou ali mais uma dívida às que já tinha feito desde que, em 1992, vendeu tudo e passou um ano na Espanha tentando a cura para a filha nascida poucos meses antes. Somavam-se às dívidas os empréstimos contratados na volta para remontar o consultório a fim de poderem trabalhar. Sem contar as contas deixadas nos Estados Unidos durante o tempo em que estiveram por lá, tratando a doença genética (talassemia) de Paola.
O casal ainda amargou a perda total do crédito, quando a sociedade com uma colega de profissão na compra de uma sala em um shopping de São José dos Campos (SP), onde moram, fracassou. "Tivemos de desistir do negócio, mas não formalizamos a saída. A sócia não pagou as prestações restantes e ficamos com o nome sujo", explica Sergio.
No fim de 1999, os Torres deviam cerca de R$ 30 mil no Brasil e o equivalente a R$ 600 mil nos Estados Unidos. Estava mais do que na hora de começarem a curar o bolso. Assim, deram início aos cortes de gastos: as luzes foram apagadas, as compras de roupas, reduzidas ao máximo e, principalmente, os freqüentes fins de semana na praia foram adiados.
Ao mesmo tempo, o casal aumentou o número de pacientes atendidos diariamente e está reduzindo a dívida. "No fim de 2001 conseguimos quitar os refinanciamentos. Ainda temos algumas dívidas grandes, mas já atingimos um equilíbrio", conta Sergio. "O melhor é que não temos mais aquele monte de pendências sobre nossa cabeça."
Os Torres não estão sozinhos. Um relatório da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), divulgado em agosto de 2002, mostra que o pagamento de despesas financeiras é o item mais pesado do orçamento dos paulistanos, levando R$ 29,83 de cada R$ 100 da renda das famílias - no fim de 2001, eram R$ 27. Depois de pagar a prestação do automóvel, os juros do cartão de crédito e a parcela do empréstimo bancário, sobra muito pouco para as famílias. Segundo Miguel José de Oliveira, vice-presidente da Anefac e coordenador do estudo, a realidade é a mesma no resto do país: "O brasileiro não deve muito, mas deve mal. Os juros são altos e os prazos, curtos."
Entre 1991 e 2001, as despesas feitas com cartão de crédito no Brasil saltaram de 5,2 bilhões de dólares para 26,7 bilhões de dólares. Segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), em média, 20% desse valor não é quitado no vencimento. E então começa a bola de neve dos juros sobre juros. "A situação é gravíssima. Os financiamentos são usados como complementação de renda", afirma Donizete Piton, presidente da Andif (Associação Nacional de Defesa dos Consumidores do Sistema Financeiro). Os números da Serasa comprovam: o índice de inadimplência do brasileiro subiu 84% de janeiro de 1999 a outubro de 2002.
Alguns, como os Torres, foram surpreendidos por problemas dramáticos: doenças na família, perda de emprego ou separação. Mas o problema em nossa sociedade é ainda mais profundo do que isso, acredita o consultor José Eduardo Pereira Filho, que há quatro anos desenvolve um trabalho de assessoria financeira pessoal e criou um programa de rádio sobre planejamento financeiro em Poços de Caldas (MG). "Nossa referência de riqueza é o que é ostentado, especialmente os carros importados e as viagens para o exterior." De fato, apesar das sucessivas crises econômicas, a frota brasileira de veículos continua crescendo, tendo atingido, em junho de 2002, 34,2 milhões de veículos - 6,5 milhões a mais do que em 1996. Hoje, há um veículo nas ruas para cada cinco habitantes; em 1993, era um para 11, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Nas capitais, essa relação é ainda menor. Em Goiânia, há um veículo para cada 1,77 habitante. Nos bairros de classe média é difícil achar uma garagem de casa com menos de dois carros.
Acrescente a isso luxos antigamente inimagináveis, desde aparelhos de TV de telas imensas, DVDs e home theaters a assinaturas de canais via satélite e Internet via cabo. E mais: celulares modernos, computadores e fornos de microondas, que muitos brasileiros consideram essenciais. Enfim, uma porção de comodidades pelas quais, no fim, vai ser preciso pagar.
O problema não é privilégio de apenas uma classe social. Pereira atende de profissionais liberais a empresários e pessoas de baixa renda - que gastam mais do que ganham e não sabem como pagar.
"É um exército de inadimplentes andando pelas ruas", diz Piton. "Muitos usam o limite do cheque para compras na farmácia e no supermercado. A dívida aumenta sem parar e as pessoas acabam acreditando que nunca vão conseguir pagar. Quando o desemprego atinge alguém da família, a situação fica ainda pior."
Entretanto, por mais terrível que a situação pareça, com as ferramentas corretas todos podem sair do buraco. E embora isso represente sacrifício no início, a mudança de rumos na vida financeira agora vai garantir um futuro mais seguro.
Livre-se das dívidas
No vermelho? Veja como recuperar a saúde financeira.
Por Dirley Fernandes
Depois de um ano e meio confinada em casa, recuperando-se de um transplante de medula, a pequena Paola, então com 9 anos, pediu aos pais, Sergio e Rocio Torres, para ir à colônia de férias de sua escola. "Ela estava animadíssima com a idéia, pois tinha ficado muito tempo presa", conta Sergio.
Os pais nem titubearam: mandaram a menina para a colônia de férias, mesmo sem ter dinheiro para pagar. Uma atitude temerária para quem, alguns meses antes, tinha voltado dos Estados Unidos com o cartão de crédito cancelado e nenhum dinheiro no bolso.
O casal de dentistas juntou ali mais uma dívida às que já tinha feito desde que, em 1992, vendeu tudo e passou um ano na Espanha tentando a cura para a filha nascida poucos meses antes. Somavam-se às dívidas os empréstimos contratados na volta para remontar o consultório a fim de poderem trabalhar. Sem contar as contas deixadas nos Estados Unidos durante o tempo em que estiveram por lá, tratando a doença genética (talassemia) de Paola.
O casal ainda amargou a perda total do crédito, quando a sociedade com uma colega de profissão na compra de uma sala em um shopping de São José dos Campos (SP), onde moram, fracassou. "Tivemos de desistir do negócio, mas não formalizamos a saída. A sócia não pagou as prestações restantes e ficamos com o nome sujo", explica Sergio.
No fim de 1999, os Torres deviam cerca de R$ 30 mil no Brasil e o equivalente a R$ 600 mil nos Estados Unidos. Estava mais do que na hora de começarem a curar o bolso. Assim, deram início aos cortes de gastos: as luzes foram apagadas, as compras de roupas, reduzidas ao máximo e, principalmente, os freqüentes fins de semana na praia foram adiados.
Ao mesmo tempo, o casal aumentou o número de pacientes atendidos diariamente e está reduzindo a dívida. "No fim de 2001 conseguimos quitar os refinanciamentos. Ainda temos algumas dívidas grandes, mas já atingimos um equilíbrio", conta Sergio. "O melhor é que não temos mais aquele monte de pendências sobre nossa cabeça."
Os Torres não estão sozinhos. Um relatório da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), divulgado em agosto de 2002, mostra que o pagamento de despesas financeiras é o item mais pesado do orçamento dos paulistanos, levando R$ 29,83 de cada R$ 100 da renda das famílias - no fim de 2001, eram R$ 27. Depois de pagar a prestação do automóvel, os juros do cartão de crédito e a parcela do empréstimo bancário, sobra muito pouco para as famílias. Segundo Miguel José de Oliveira, vice-presidente da Anefac e coordenador do estudo, a realidade é a mesma no resto do país: "O brasileiro não deve muito, mas deve mal. Os juros são altos e os prazos, curtos."
Entre 1991 e 2001, as despesas feitas com cartão de crédito no Brasil saltaram de 5,2 bilhões de dólares para 26,7 bilhões de dólares. Segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), em média, 20% desse valor não é quitado no vencimento. E então começa a bola de neve dos juros sobre juros. "A situação é gravíssima. Os financiamentos são usados como complementação de renda", afirma Donizete Piton, presidente da Andif (Associação Nacional de Defesa dos Consumidores do Sistema Financeiro). Os números da Serasa comprovam: o índice de inadimplência do brasileiro subiu 84% de janeiro de 1999 a outubro de 2002.
Alguns, como os Torres, foram surpreendidos por problemas dramáticos: doenças na família, perda de emprego ou separação. Mas o problema em nossa sociedade é ainda mais profundo do que isso, acredita o consultor José Eduardo Pereira Filho, que há quatro anos desenvolve um trabalho de assessoria financeira pessoal e criou um programa de rádio sobre planejamento financeiro em Poços de Caldas (MG). "Nossa referência de riqueza é o que é ostentado, especialmente os carros importados e as viagens para o exterior." De fato, apesar das sucessivas crises econômicas, a frota brasileira de veículos continua crescendo, tendo atingido, em junho de 2002, 34,2 milhões de veículos - 6,5 milhões a mais do que em 1996. Hoje, há um veículo nas ruas para cada cinco habitantes; em 1993, era um para 11, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Nas capitais, essa relação é ainda menor. Em Goiânia, há um veículo para cada 1,77 habitante. Nos bairros de classe média é difícil achar uma garagem de casa com menos de dois carros.
Acrescente a isso luxos antigamente inimagináveis, desde aparelhos de TV de telas imensas, DVDs e home theaters a assinaturas de canais via satélite e Internet via cabo. E mais: celulares modernos, computadores e fornos de microondas, que muitos brasileiros consideram essenciais. Enfim, uma porção de comodidades pelas quais, no fim, vai ser preciso pagar.
O problema não é privilégio de apenas uma classe social. Pereira atende de profissionais liberais a empresários e pessoas de baixa renda - que gastam mais do que ganham e não sabem como pagar.
"É um exército de inadimplentes andando pelas ruas", diz Piton. "Muitos usam o limite do cheque para compras na farmácia e no supermercado. A dívida aumenta sem parar e as pessoas acabam acreditando que nunca vão conseguir pagar. Quando o desemprego atinge alguém da família, a situação fica ainda pior."
Entretanto, por mais terrível que a situação pareça, com as ferramentas corretas todos podem sair do buraco. E embora isso represente sacrifício no início, a mudança de rumos na vida financeira agora vai garantir um futuro mais seguro.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
A Responsabilidade É Nossa!!!!

ONU afirma que mudanças climáticas são causadas pelo homem
Artigo: Não há mais tempo a perder
Publicada em 02/02/2007 às 07h23m
André Trigueiro*
Não há mais tempo a perder. Estamos todos juntos no mesmo barco e inúmeros indicadores apontam na mesma direção: se não dermos a devida resposta à
ameaça que nos espreita, ficaremos marcados na História como a civilização que teve a competência de diagnosticar a maior de todas as tragédias ambientais
sem que isso tenha justificado uma ampla mobilização da sociedade. Esta é a razão pela qual muitos estudiosos classificam o aumento do aquecimento global
como um problema ético: sabemos que ele existe, nos reconhecemos como agentes do processo e, ainda assim, pouco ou nada fazemos no sentido de enfrentar a
situação com a seriedade e o senso de urgência que o assunto requer.
É chegado o momento de reconhecer o inimigo para enfrentá-lo com consciência e determinação. Ele é invisível, não tem cheiro nem faz mal à saúde, mas
quando aglomerado aos bilhões de toneladas na atmosfera por conta da queima progressiva de petróleo, gás natural e carvão (as queimadas no Brasil também
entram na conta e, no caso específico da Amazônia, a área verde que virou fumaça no ano passado equivale em tamanho a Israel), tem o poder de mudar o clima,
o ciclo das chuvas, o nível dos oceanos e a expectativa de vida de inúmeras espécies e ecossistemas. Jamais experimentamos algo parecido numa escala de
tempo tão curta.
O dióxido de carbono (CO2) aparece no Tratado de Kyoto como o mais importante gás de efeito estufa, mas para que o acordo internacional saísse do papel
foram definidos prazos e metas bastante modestos: uma redução média de 5% nas emissões de gases de efeito estufa dos países desenvolvidos entre 2008 e 2012
em relação às emissões destes mesmos países ocorridas em 1990, quando o mínimo necessário seria de 60% (ou mesmo 80%, como aponta o recém lançado
Relatório Stern, assinado pelo ex-Economista Chefe do Banco Mundial). Mesmo reconhecendo que a substituição dos combustíveis fósseis por outras fontes de
energia deva acontecer de forma gradual, o ritmo das mudanças é extremamente lento. O mérito de Kyoto é dar início a um processo que, embora já tenha
produzido alguns resultados importantes, se arrasta em passo de tartaruga enquanto as mudanças climáticas vêm a galope.
Tão importante quanto o comprometimento dos países em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, principalmente de CO2, são as iniciativas individuais.
O que cada um de nós está disposto a fazer nesse sentido? Que pequenas mudanças podemos aplicar em nossa rotina em favor desse objetivo maior? Mudança é
uma palavra que assusta, e que muitos de nós associamos de imediato a sacrifício. Nem sempre é assim. Avalie o que lhe convém, considerando que cada
tonelada a menos de carbono na atmosfera faz toda a diferença.
Vejamos alguns exemplos do que é possível fazer hoje em benefício de um futuro menos traumático:
1) Transportes: Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, as maiores emissões de CO2 têm origem nos automóveis. Sempre que possível, deixe o carro na
garagem e privilegie o uso de transportes públicos. Estima-se que 80% de nossos deslocamentos diários se resolvam num raio de 5 km de distância, o que abre
caminho para o uso de bicicletas ou pequenas caminhadas. Se o uso do carro for inevitável, prefira os modelos flex rodando a álcool, com motores sempre
regulados, pneus calibrados e aceleração baixa.
2) Árvores: As espécies vegetais estocam carbono nas raízes, troncos, galhos e folhas. Quanto mais árvores plantarmos, mais carbono estaremos retirando da
atmosfera. O inverso é rigorosamente verdadeiro: para cada árvore destruída haverá mais carbono agravando o aquecimento global.
3) Construções inteligentes: Luz e ventilação naturais demandam um consumo menor de energia. Certos materiais usados no revestimento de casas e escritórios
também ajudam a conservar a temperatura ambiente de modo agradável, sem a necessidade de ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado.
4) Consumo: Um estilo de vida consumista acelera a exaustão dos recursos naturais. Todos os produtos demandam matéria-prima e energia para existir. Quem
consome muito além do necessário agrava a pressão sobre os estoques de energia, com reflexos importantes sobre as emissões de CO2. Apesar do que apregoam
muitas campanhas publicitárias, é possível ser feliz com menos, bem menos do que aparece nos comerciais.
5) Neutralizando as emissões: A Copa do Mundo da Alemanha foi a primeira da História a neutralizar totalmente as emissões de gases estufa. Com precisão
germânica, a organização do evento estimou a quantidade de CO2 emitida pelos 3 milhões de visitantes e investiu em projetos que retiraram da atmosfera a
mesma quantidade de gás estufa. Isso já está sendo feito no Brasil e no mundo em shows de música, lançamentos de livros ou CDs. Para muitos empresários,
esse é um excelente filão de negócios na direção da responsabilidade social corporativa.
Seria ótimo se a responsabilidade de reduzir as emissões de CO2 fosse apenas dos países. Mas estamos sendo convocados individualmente à ação enquanto
consumidores, eleitores e habitantes de um país em desenvolvimento, categoria apontada pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU
como bastante vulnerável às turbulências que vêm por aí. Podemos e devemos nos antecipar a isso.
André Trigueiro é jornalista da Globo News e da CBN, pós-graduado em Gestão Ambiental na COPPE/UFRJ, criador e professor do curso de
Jornalismo Ambiental da PUC/RJ e autor do livro "Mundo Sustentável", da Editora Globo.
(Artigo publicado em 21/11/2006 no jornal "O Globo")
Vítimas no banco de trás do carro são 70% do total - O Globo Online
Vítimas no banco de trás do carro são 70% do total - O Globo Online
É impressionante como pessoas bem informadas preferem deixar os filhos sem cinto do que se estressar com reclamações das crianças. Falta autoridade e vontade.
É impressionante como pessoas bem informadas preferem deixar os filhos sem cinto do que se estressar com reclamações das crianças. Falta autoridade e vontade.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Barbie - Como reproduzimos nosso consumismo em nossas filhas

Barbie
Rubem Alves
Fiquei comovido quando li que foram encontradas bonecas em túmulos de crianças no Egito, na Grécia e em Roma. Pude imaginar o que os pais deveriam estar sentindo ao colocar aquele brinquedo junto ao corpo da filha morta. Eles o faziam para que ela não partisse sozinha, para que ela não tivesse medo.
De fato, uma criança abraçada a uma boneca é uma criança sem medo, uma criança feliz. Os meninos, proibidos de ter bonecas, se abraçam aos seus ursinhos de pelúcia. E nós, adultos, proibidos de ter bonecas e de ter ursinhos de pelúcia, nos abraçamos ao travesseiro... Os objetos são diferentes, mas o seu sentido é o mesmo: o desejo de aconchego e de ternura.
Por isso eu acho que o senhor e a senhora fizeram muito bem ao dar uma boneca de presente para a sua filhinha.
Com uma exceção, é claro: se a boneca não foi a Barbie.
Porque a Barbie não é uma boneca. Falta a ela o poder que têm as outras bonecas, bebezinhos, de afugentar o medo e provocar sentimento maternais de ternura. Não posso imaginar uma menina dormindo abraçada à sua Barbie. Nenhum pai colocaria a Barbie no túmulo da filha morta.
A Barbie não é boneca. É uma bruxa.
Posso bem imaginar o espanto nos seus olhos.
Eu imagino também os seus pensamentos: O Rubem perdeu o juízo. A Barbie é unta boneca de plástico, não mexe, não pensa, não fala. E agora ele diz que ela é uma bruxa...
Que as bonecas, ao contrário das aparências, têm uma vida própria, eu aprendi no 2° ano primário. Minha professora me deu um livro sobre bonecas e bonecos: enquanto a gente estava acordado, elas ficavam deitadinhas, olhinhos fechados, fingindo que dormiam. Mas bastava que os vivos dormissem para que elas acordassem e se pusessem a falar coisas.
As bonecas foram os primeiros brinquedos inventados pelos homens.
E foram também os primeiros instrumentos de magia negra. Um alfinete, aplicado no lugar certo de uma boneca – assim afirmam os entendidos – tem o poder de matar a pessoa que se parece com ela.
Pois eu digo que a Barbie é uma bruxa.
Bruxa enfeitiça.
Enfeitiçada, a pessoa deixa de ter pensamentos próprios. Só pensa o que a bruxa manda. A pessoa enfeitiçada fica possuída pelos pensamentos da feiticeira e só pensa e faz aquilo que ela manda.
Se falo é porque vi, com esses olhos que a terra há de comer.
Basta que as crianças comecem a brincar com a Barbie, para que fiquem diferentes.
O pai manda, a mãe manda, a criança faz birra e não obedece. Não é assim com a Barbie. Basta que a Barbie mande para que elas obedeçam.
De novo você vai me contestar, dizendo que a Barbie não fala e não tem vontade. Por isso não pode nem dar ordens e nem ser obedecida.
Errado.
O fantástico é que ela, sem falar e sem ter vontade, tenha mais poder sobre a alma da criança que os pais.
Quem me revelou isso foi o futurólogo Alvin Toffler, no seu livro O Choque do Futuro, que li em 1971. O capítulo "A Sociedade do Joga-Fora" começa com a Barbie. Nascida em 1959, em 1970 mais de 12 milhões já tinham sido vendidas. Um negócio da China. E por quê? Porque a Barbie, diferente das bonecas antigas, bebês que se contentam com uma chupeta e um chocalho, tem uma voracidade insaciável.
A Barbie é uma boneca que nunca está contente: ela sempre pede mais. E essa é a grande lição que ela ensina às crianças: Compra, por favor!
Para se comprar há as roupas da Barbie, a banheira da Barbie, o secador de cabelo, o jogo de beleza, o guarda-roupa, a cama, a cozinha, o jogo de sala de estar, o carro, o jipe, a piscina, o chalé de praia, o cavalo e os maridos, que podem ser escolhidos e alternados entre o loiro e o Moreno etc. Etc.
A Barbie está sempre incompleta. Portanto, com ela vem sempre uma pitada de infelicidade.
Aliás, essa é a regra fundamental da sociedade consumiste: é preciso que as pessoas se sintam infelizes com o que têm, para que trabalhem e comprem o que não têm.
A Barbie tem esse poder: quem a tem está sempre infeliz porque há sempre algo que não se tem, ainda.
E os engenheiros da inveja, a serviço das fábricas, se encarregam de estar sempre produzindo esse novo objeto que ainda não foi comprado. Mas é inútil comprar. Porque logo um outro será produzido. É a cenoura na frente do burro... Ela nunca será comida.
Quem dá uma Barbie para uma criança põe a criança numa arapuca sem saída.
Porque, ao ter uma Barbie, ela ingressa no Clube das Meninas que têm Barbie.
E as conversas, nesse clube, são assim: Eu tenho o chalé de praia da Barbie. Você não tem. Ao que a outra retruca: – Não tenho o chalé, mas tenho o marido loiro da Barbie, que você não tem.
1 - Essa é a primeira lição que a inofensiva boneca de plástico ensina. Ensina a horrível fala do eu tenho, você não tem. A maldição das comparações. A maldição da inveja.
Você deve conhecer alguns adultos que fazem esse jogo.
Haverá coisa mais chata, mais burra, mais mesquinha?
Ao dar uma Barbie de presente é preciso que você saiba que a menina inevitavelmente aprenderá essa fala.
Isso feito, uma segunda fala entra inevitavelmente em cena, impulsionada pelas ilusões da inveja.
2 - A menininha pensa: Estou infeliz porque não tenho. Se eu tiver, serei feliz.
O jeito de se ter é comprar.
_ Papai...
– Que é, minha filha?
– Compra o chalé de praia da Barbie? Eu quero tanto...
Filha na arapuca. Pai na arapuca.
Mas há uma saída.
E, para ela, procuro sócios.
Vamos começar a produzir o próximo e definitivo complemento para a bruxa de plástico: urnas funerárias para a Barbie.
Por vezes o feitiço só se quebra com o assassinato da feiticeira – por bonitinha que ela seja...
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Nutrição Antroposófica
Alimentação equilibrada é sinônimo de boa saúde. Quem come moderadamente, procurando variar os alimentos e se preocupando com a sua procedência, certamente terá mais resistência às doenças, vigor, disposição e energia. Somos aquilo que comemos: quem ingere alimentos sadios terá um organismo são. As pessoas que consomem alimentos de origem duvidosa, ricos em substâncias artificiais (corantes e conservantes, além de adubos químicos e agrotóxicos na origem), açúcar e gorduras em excesso, certamente serão fortes candidatas a adoecer e desenvolver os chamados males da civilização, como excesso de peso, diabetes, problemas circulatórios, cálculos renais e na vesícula, entre outros.
Nas grandes cidades, porém, o ritmo de vida frenético faz com que as pessoas se alimentem mal, em horários irregulares, ingerindo rapidamente uma refeição ligeira nos fast-foods. Somos bombardeados pela mídia com apelos irresistíveis e procuramos compensar nossas carências e problemas emocionais comendo coisas “gostosas”, compulsivamente, até mesmo sem estar com fome. E só interrompemos esse círculo vicioso quando o médico nos faz um sério alerta ou a doença nos pega de surpresa.
Antes que isso aconteça, no entanto, o melhor é fazer uma pausa e tentar mudar a alimentação. Pessoas espiritualizadas, em busca de sua verdade interior, certamente irão se identificar com os conceitos da alimentação antroposófica, cujo principal objetivo é manter o organismo sadio e promover sua união com o “eu” espiritual. Mais que isso: esse tipo especial de alimentação, unida à medicina antroposófica, procura curar e prevenir doenças.
A nutricionista Cristina Bustamente é uma das divulgadoras da alimentação antroposófica e entusiasta dos seus benefícios. Ela explica que a base dessa alimentação são os alimentos orgânicos, cultivados sem o uso de adubos químicos ou inseticidas, e biodinâmicos, plantados segundo os princípios da agricultura biodinâmica, desenvolvida pelo criador da antroposofia, Rudolf Steiner. É permitida a ingestão de carne vermelha e branca, desde que os animais sejam criados em liberdade e não recebam hormônios ou ração. Também não há restrições contra a carne dos peixes, ricas em gorduras insaturadas.
O grande segredo é moderação e variedade. Ou seja: pode-se comer carne, desde que em pequenas quantidades e somente alguns dias por semana. A grande fonte de proteínas devem ser os laticínios, as leguminosas – como feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico – e os ovos (apenas duas vezes por semana). O açúcar deve ser substituído pelo mel ou melado e os doces pelas frutas secas. Pode-se usar também a stévia, um adoçante extraído de plantas, pois estudos indicam que ela favorece a circulação, reduzindo as possibilidades de arteriosclerose.
Margarina e banha de porco também devem ser deixadas de lado e substituídas pela manteiga e pelo óleo vegetal prensado a frio. A manteiga e o creme de leite, embora sejam de origem animal, por se dissolverem à mesma temperatura do corpo humano, não são vistos como vilões formadores do mau colesterol, mas como fontes de vitaminas, sais minerais e boas gorduras, que irão ajudar na sintetização de hormônios. Mas a sua ingestão deve ser limitada a duas colheres de chá de manteiga e uma colher de sopa de óleo por refeição.
Os alimentos podem ser assados ou cozidos e jamais fritos. Além disso, quem ingere bastante fibras de origem vegetal conta com o seu auxílio para absorver e levar consigo, nas fezes, o excesso de colesterol. As crianças, por sua vez, precisam consumir um pouco mais de gordura, pois estão em fase de crescimento e necessitam dela para a estrutura das células e síntese dos hormônios.
Também há restrição contra a ingestão de batatas e tomates, por serem plantas da família das solanáceas, que geram substâncias químicas denominadas saponinas, as quais são tóxicas e destroem as células sangüíneas. Deve-se igualmente evitar os cogumelos, que crescem no escuro, sem luz, sobre substâncias em decomposição, retendo uma energia negativa. Já os vegetais que se desenvolvem sob a luz do Sol e realizam o processo de fotossíntese retêm essa energia positiva e benéfica, que é transmitida ao ser humano.
Os brotos de sementes – como os de alfafa, ricos em vitamina C, feijão, etc. – também são recomendados como fontes de vitaminas, sais minerais e, por conterem hormônios de crescimento, benéficos às nossas células. Além disso, sua energia é extremamente positiva, pois neles a vida está em seu apogeu. Mas quem adora batatas, tomates, cogumelos e até mesmo chocolate não precisa ficar em pânico: “Nada faz mal quando consumido em pouca quantidade e esporadicamente. Comer uma pequena porção de batatas ou umas fatias de tomate de vez em quando, ou um pedacinho de chocolate, para matar a vontade, não vai prejudicar ninguém”, ensina Cristina Bustamante.
“Na visão antroposófica, a alimentação especial e equilibrada pode estar nos beneficiando tanto no plano físico quanto no etérico. Ou seja: tanto nas funções fisiológicas, como na parte emocional ou espiritual. Daí a necessidade de se estar vendo a alimentação não só como um instrumento para a saúde, mas também para o autodesenvolvimento, na medida em que o corpo é o instrumento da alma”, explica.
Ao ingerir alimentos puros que não degradam o meio ambiente, o ser humano está se integrando à natureza e também ao cosmos, ampliando sua percepção espiritual. A antrosofia pressupõe que, além do nosso corpo físico, temos mais três corpos sutis “acoplados” a ele: o corpo vital, o corpo astral (das sensações e emoções) e o corpo do eu, relacionado com o espírito. Assim como o corpo físico é alimentado pelas substâncias físicas provenientes dos alimentos, os corpos sutis também são “alimentados” pelas substâncias energéticas contidas nesses mesmos alimentos.
Os alimentos de origem mineral são desprovidos de vida e devem ser ingeridos moderadamente, como é o caso do sal e do açúcar. (O açúcar é de origem vegetal, mas tem características de um mineral.) Sal e açúcar em excesso tendem a “mineralizar” o nosso corpo, enrijecendo as articulações, criando cálculos nos rins e na vesícula e nos desvitalizando. O animal, por sua vez, já utilizou parte da sua energia etérica, transformando-a em instintos e sensações. Por isso, a ingestão de carne animal irá sobrecarregar o nosso organismo, que terá de destruir essa energia astral estranha, além de nos transferir as qualidades desses seres, como excesso de agressividade e sensualidade. Nesse caso, a exceção fica por conta do leite e dos ovos. O leite contém ainda energia etérica altamente benéfica, isenta de energia astral, pois se destina a transmitir vida a uma cria, sendo “doado” com amor. O ovo fecundado, da mesma forma, contém a vida em seu interior, pronta para se desenvolver, mas não tem a energia astral da própria ave.
O segredo de uma alimentação sadia, sob o ponto de vista da antroposofia, não está apenas em ingerir alimentos saudáveis e descontaminados, mas que sejam igualmente frescos e cheios de energia etérica vital. Isso não acontece com as conservas, congelados, alimentos industrializados e enlatados, que devem ser deixados de lado. Da mesma forma, não se recomenda o uso do forno de microondas, na medida em que esse tipo de ondas destrói essa energia benéfica. O melhor é sempre cozinhar pequenas porções de alimentos e evitar que fiquem “rolando” na geladeira. No entanto, é viável cozinhar uma refeição à noite e guardá-la na geladeira a fim de ser ingerida no trabalho, durante o almoço. Nesse caso, porém, o indivíduo terá de comer alimentos frescos nas demais refeições.
O uso correto dos utensílios de cozinha também é fundamental para conservar a energia etérica dos alimentos. As panelas mais indicadas são as de aço inoxidável, vidro e pedra-sabão, por não desprenderem resíduos. As que causam mais danos são as de alumínio, na medida em que partículas dessa substância ingeridas diariamente podem, a longo prazo, causar doenças. Da mesma forma, deve-se evitar o uso de papel alumínio ou utensílios desse material para guardar água, sucos ou comida.
Alimentação variada – Segundo a nutricionista Cristina Bustamante, “a grande crítica contra a dieta vegetariana ou com pouca ingestão de carne é que há o risco de a pessoa ficar anêmica. Mas uma dieta equilibrada e balanceada irá fornecer ao organismo todos os nutrientes de que necessita, especialmente o ferro. É verdade que o ferro de origem animal é absorvido mais rapidamente pelo nosso aparelho digestivo, porém, quando ingerimos os alimentos vegetais ricos desse metal, o nosso organismo ‘aprende’ a processá-lo de maneira mais eficiente”, explica. Além disso, é igualmente importante ingerir leite fresco integral de boa qualidade e laticínios como fontes de vitamina B12, presente na carne. Quanto mais variada for a alimentação, melhor, porque aí o indivíduo terá a certeza de estar ingerindo todos os elementos necessários ao bom funcionamento do seu organismo. Porém, são contra-indicadas as vitaminas, sais minerais e oligoelementos sintetizados, por serem substâncias arti-ficiais e estranhas ao nosso corpo.
Os laticínios (leite, queijos, iogurtes e coalhadas) e os cereais (arroz, centeio, aveia, trigo integral, painço, trigo sarraceno, cevada e milho) são alimentos ideais para serem consumidos diariamente. Já as leguminosas, como feijão, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico, são boas fontes de proteína, mas devem ser ingeridas apenas três vezes por semana, durante o almoço. Os ovos podem ser comidos cozidos, ou entrar na composição de pratos; o seu consumo, porém, deve se limitar a duas unidades por semana.
Cristina Bustamante faz uma observação importante: não adianta nos preocuparmos apenas com o organismo e ignorarmos o nosso lado emocional, pois corpo e alma estão ligados e são, na verdade, uma coisa só. Quem se alimentar corretamente com certeza vai ficar mais forte e irá adquirir resistência contra doenças. Mas poderá adoecer se continuar introjetando seus medos, frustrações, angústias, raiva, ódio e amarguras, que poderão desencadear males crônicos, como artrites, gastrites e gerar até mesmo um câncer. “Devemos resolver as nossas pendências emocionais por meio de terapias, a fim de que tenhamos uma mente sã num corpo são, buscando a nossa paz interior”, adverte. Ela também não descarta fatores genéticos co- mo a origem de doenças e até mesmo pendências carmáticas trazidas de outras vidas.
Acupuntura pode tratar inúmeras doenças, diz estudo
A acupuntura chinesa pode tratar 461 doenças, a maioria delas relacionada ao sistema nervoso, segundo uma pesquisa realizada por especialistas do país oriental e publicada hoje pelo jornal oficial China Daily.
O doutor du Yuanhao, do Centro de Pesquisa de Acupuntura Chinesa de Tianjin, afirmou que a maioria das doenças nas quais esta prática é eficaz está relacionada com o sistema nervoso, o digestivo, o genitourinário, os músculos, os ossos e a pele.
Concretamente, doenças como a apoplexia, a diarréia, a enterites, a demência e as brotoejas cutâneas podem ser tratadas pela acupuntura.
Os pontos fundamentais desta prática se encontram na pele e por isso o tratamento pode ser eficaz em doenças musculares e dermatológicas, explica du, de 43 anos.
"Além disso, por estes pontos transcorrem numerosas terminações nervosas, o que pode levar à cura de doenças do sistema nervoso e outras cujas funções são controladas pelos nervos", acrescentou.
No entanto, a acupuntura não é eficaz contra todas as doenças, embora seja mais fácil de lidar em comparação com outros tratamentos, segundo o especialista.
O responsável pelo estudo trabalha agora na classificação destas 461 doenças. "Vou criar três categorias: as que podem ser curadas apenas mediante a acupuntura, aquelas para as quais a acupuntura é o tratamento principal e as doenças nas quais a acupuntura pode ajudar".
A acupuntura faz parte da medicina tradicional chinesa, uma prática que conta com dois mil anos de vida, e consiste na inserção de agulhas metálicas na pele para aliviar a dor e tratar doenças.
O doutor du Yuanhao, do Centro de Pesquisa de Acupuntura Chinesa de Tianjin, afirmou que a maioria das doenças nas quais esta prática é eficaz está relacionada com o sistema nervoso, o digestivo, o genitourinário, os músculos, os ossos e a pele.
Concretamente, doenças como a apoplexia, a diarréia, a enterites, a demência e as brotoejas cutâneas podem ser tratadas pela acupuntura.
Os pontos fundamentais desta prática se encontram na pele e por isso o tratamento pode ser eficaz em doenças musculares e dermatológicas, explica du, de 43 anos.
"Além disso, por estes pontos transcorrem numerosas terminações nervosas, o que pode levar à cura de doenças do sistema nervoso e outras cujas funções são controladas pelos nervos", acrescentou.
No entanto, a acupuntura não é eficaz contra todas as doenças, embora seja mais fácil de lidar em comparação com outros tratamentos, segundo o especialista.
O responsável pelo estudo trabalha agora na classificação destas 461 doenças. "Vou criar três categorias: as que podem ser curadas apenas mediante a acupuntura, aquelas para as quais a acupuntura é o tratamento principal e as doenças nas quais a acupuntura pode ajudar".
A acupuntura faz parte da medicina tradicional chinesa, uma prática que conta com dois mil anos de vida, e consiste na inserção de agulhas metálicas na pele para aliviar a dor e tratar doenças.
Assinar:
Postagens (Atom)